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Gigante asiática declara falência no Brasil; veja o motivo

Por Nina Silveira
23/01/2026
Em Últimas notícias
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Gigante asiática declara falência no Brasil; veja o motivo

Uma notícia que abalou o setor de infraestrutura e siderurgia no Brasil: a Posco Engenharia e Construção do Brasil, subsidiária da gigante sul-coreana Posco, protocolou um pedido de autofalência na Justiça do Ceará.

Responsável por uma obra monumental de R$ 28 bilhões, a empresa alega uma crise “insuperável” e deixa para trás um passivo que pode chegar a R$ 1 bilhão, com apenas R$ 100 em conta para saldar débitos bilionários. Entenda os detalhes e o que isso significa para credores e para o mercado.

A Posco Brasil foi criada com o objetivo de construir a usina da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Apesar de ter recebido integralmente os US$ 5,5 bilhões (cerca de R$ 28 bilhões) referentes à obra, o encerramento das atividades em 2016 não resultou na quitação de fornecedores, trabalhadores e impostos. Agora, a empresa busca a autofalência, uma estratégia que interrompe cobranças judiciais e centraliza processos.

Dívidas e ativos: uma realidade alarmante

A Posco reconhece formalmente uma dívida de R$ 644 milhões, sendo a maior parte destinada a débitos trabalhistas (R$ 573,5 milhões). No entanto, credores e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contestam esses valores, apontando que o passivo tributário real pode ultrapassar os R$ 200 milhões. A indignação dos credores aumenta ao analisar os ativos apresentados para cobrir a dívida:

  • Um terreno em São Gonçalo do Amarante (CE) avaliado em R$ 1,1 milhão.
  • Um Ford Fusion (2015/2016) sem funcionamento e com 11 multas.
  • Apenas R$ 109,80 em conta-corrente.
  • R$ 4,8 mil em aplicações financeiras.

“A empresa pegou o dinheiro da obra, remeteu recursos para fora e deixou toda uma cadeia produtiva prejudicada. Empresas no Ceará fecharam por causa disso”, relata Frederico Costa, advogado que representa um credor com R$ 567 milhões a receber.

Manobra fraudulenta ou crise inevitável?

Credores acusam a Posco de utilizar a autofalência como uma manobra fraudulenta, esvaziando deliberadamente seus ativos no Brasil. Contudo, uma vitória jurídica em primeira instância permitiu a desconsideração da personalidade jurídica, abrindo caminho para que a cobrança alcance a matriz na Coreia do Sul e suas holdings internacionais.

A defesa da Posco argumenta que fatores externos, como a recessão brasileira, a pandemia e a concorrência desleal do aço chinês, foram os responsáveis pela crise. A não implementação da segunda fase da usina CSP, que previa dobrar a capacidade de produção, teria tornado a operação inviável.

O Que os Credores Podem Fazer?

Diante desse cenário, é fundamental que os credores busquem orientação jurídica especializada. A ação que permitiu a desconsideração da personalidade jurídica é um passo importante, mas é preciso acompanhar de perto o desenrolar do processo de falência e as possíveis execuções internacionais.

Clique aqui para saber mais sobre como proceder em casos de dívidas não pagas por empresas em processo de falência.

Nina Silveira

Nina Silveira

Jornalista com experiência em redação, redes sociais e marketing digital.

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