A energia solar distribuída (GD) avançou de forma notável no Brasil, tornando-se uma presença comum em residências, comércios e propriedades rurais. No entanto, mesmo com essa consolidação como alternativa econômica e ambiental, ainda existem seis municípios brasileiros que permanecem completamente fora do mapa da GD solar.
Essa informação, baseada em dados oficiais da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), revela um cenário peculiar em um país com 5.569 municípios reconhecidos, e que, para fins estatísticos, chega a 5.571 localidades analisadas pelo IBGE.
Onde Estão Essas Cidades?
As seis cidades que ainda não contam com nenhum sistema de GD solar instalado são, em sua maioria, localidades pequenas e situadas longe dos grandes centros econômicos. Seus perfis sociais, econômicos e geográficos explicam a ausência dessa tecnologia. Curiosamente, todas elas estão concentradas em apenas dois estados: Rio Grande do Norte e Amazonas.
Rio Grande do Norte: Desafios Socioeconômicos
No Rio Grande do Norte, os entraves para a adoção da energia solar distribuída são predominantemente de natureza socioeconômica.
Lajes Pintadas (RN)
- População estimada: 4,9 mil habitantes
- Localização: Agreste Potiguar
A economia de Lajes Pintadas baseia-se na agricultura familiar, pecuária de subsistência, pequenos comércios e serviços públicos. A renda média da população, uma das mais baixas do estado, limita o investimento em tecnologias como a energia solar. O baixo dinamismo econômico e a pouca atratividade comercial também reduzem a presença de empresas integradoras na região. Além disso, o acesso restrito a crédito estruturado dificulta a viabilização financeira dos sistemas solares.
Venha-Ver (RN)
- População estimada: 7,9 mil habitantes
- Localização: Alto Oeste Potiguar, na divisa com a Paraíba
Um dos municípios mais novos do Rio Grande do Norte, Venha-Ver tem um perfil fortemente rural, com economia voltada para a agropecuária, comércio local e transferências governamentais. A baixa arrecadação municipal, o mercado consumidor reduzido e a limitada presença de empresas integradoras, que se concentram em polos regionais, tornam a cidade pouco atrativa do ponto de vista operacional. O baixo poder aquisitivo da população e a dificuldade de acesso a financiamentos competitivos também reduzem a demanda local por sistemas solares.
Amazonas: Barreiras Logísticas em Regiões Remotas
No Amazonas, o principal obstáculo para a expansão da GD solar é logístico. As quatro cidades amazonenses da lista estão localizadas em regiões extremamente remotas, com acesso predominantemente fluvial, longas distâncias até os centros urbanos e infraestrutura limitada. Nessas condições, o transporte de equipamentos e mão de obra técnica torna-se uma operação complexa e cara, elevando o custo final dos projetos.
Amaturá (AM)
- População estimada: 11,5 mil habitantes
- Localização: Alto Solimões
Situada a mais de 900 km de Manaus por via fluvial, Amaturá tem acesso quase exclusivo por embarcações, em viagens que podem durar de três a cinco dias. Esse isolamento impõe custos logísticos elevados, tanto para equipamentos quanto para equipes técnicas. A infraestrutura urbana limitada e a baixa disponibilidade de mão de obra capacitada também são fatores relevantes. Grande parte da população depende de programas sociais e atividades de subsistência, o que restringe a capacidade de investimento em geração própria.
Atalaia do Norte (AM)
- População estimada: 15,3 mil habitantes
- Localização: Vale do Javari, fronteira com o Peru
Considerada uma das cidades mais isoladas do Brasil, Atalaia do Norte é acessível apenas por via fluvial ou aérea, com custo elevado e baixa frequência de transporte. A região abriga uma grande concentração de terras indígenas, comunidades ribeirinhas e áreas de proteção ambiental, o que cria restrições operacionais, ambientais e logísticas. Para integradores, isso significa alto risco operacional, elevado custo logístico e baixo retorno financeiro, reduzindo drasticamente o interesse comercial.
Santo Antônio do Içá (AM)
- População estimada: 28,2 mil habitantes
- Localização: Alto Solimões
Às margens do Rio Solimões, Santo Antônio do Içá tem acesso praticamente exclusivo por via fluvial e infraestrutura urbana limitada. O fornecimento de energia na região depende fortemente de sistemas térmicos movidos a diesel, o que cria desafios adicionais para a integração da geração distribuída. Os altos custos logísticos, somados ao baixo poder aquisitivo da população, tornam os projetos solares economicamente menos atrativos para integradores privados.
São Paulo de Olivença (AM)
- População estimada: 35,4 mil habitantes
- Localização: Alto Solimões
Apesar de ser o maior município da lista, São Paulo de Olivença enfrenta desafios semelhantes aos demais da região: isolamento geográfico, alto custo de transporte e baixa presença de empresas integradoras. Atualmente, praticamente não há empresas solares com base operacional permanente na cidade, e os serviços dependem de deslocamento de municípios maiores, o que encarece os projetos. O mercado local ainda não apresenta escala suficiente para sustentar uma cadeia contínua de serviços solares.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, sendo expressamente proibida a reprodução parcial ou total sem autorização. Para colaboração ou reutilização de material, entre em contato pelo e-mail: [email protected].




